Você já sentiu que, por mais que tente, nunca é o suficiente em um relacionamento? Já duvidou da sua própria memória ou achou que estava ficando louca(o)? Se sim, você pode estar presa(o) na teia de um relacionamento narcisista.
No episódio #28 do podcast Quem, eu?, conversei com o psicólogo especialista em relacionamentos, Bruno Huffel, para desvendar as armadilhas e os padrões de um relacionamento narcisista.
Assista ao vídeo abaixo ou continue a leitura para entender como identificar os sinais vermelhos, blindar a sua energia e se libertar da dependência emocional.
O que é um Narcisista?
A maioria das pessoas acredita que o narcisista é apenas aquela pessoa que “se acha incrível”. Mas, na verdade, na sua essência, o narcisista é uma pessoa extremamente vulnerável.
Para se proteger dessa vulnerabilidade profunda e de falhas na infância, o psiquismo dele cria um personagem, uma máscara ou um alter ego. O problema é que, para garantir que esse personagem não desmorone, a pessoa narcisista faz movimentos inconscientes e intencionais de manipulação.
É exatamente por isso que eles nunca assumem a culpa e não acreditam que erram. Assumir um erro seria como voltar lá atrás e encarar a sua própria dor. Por isso, a culpa de tudo sempre será da esposa, do namorado, da família ou da vítima. O Transtorno de Personalidade Narcisista não tem cura, tem tratamento terapêutico, mas dificilmente um narcisista busca ajuda de verdade.
O Ciclo do Abuso Narcisista: As 3 Fases
A dinâmica entre um narcisista e uma pessoa dependente emocionalmente (ou super empática) é sutil e perigosa. O relacionamento costuma seguir um roteiro clássico de três fases:
1. A Fase da Idealização (Love Bombing)
No começo, é tudo rápido e perfeito. Eles dizem que você é a alma gêmea, pedem em namoro em uma semana e planejam morar juntos em um mês. O narcisista te coloca em um pedestal, espelha todos os seus gostos e te faz acreditar que você encontrou o parceiro dos sonhos.
2. A Fase da Desvalorização
De repente, a pessoa que achava você perfeita começa a te criticar de forma sutil. Critica as suas roupas, afasta você dos seus amigos e usa as suas inseguranças (que você contou na primeira fase) contra você. Você começa a pisar em ovos, perdoar o imperdoável e ultrapassar os seus limites, tentando desesperadamente fazer com que o “príncipe/princesa” do início volte a te admirar.
3. O Descarte ou Aprisionamento
Você se vê completamente sugada, sofrendo com tratamento de silêncio ou punições emocionais, muitas vezes isolada da família e dos amigos. Sem perceber, a sua autoestima é destruída, e você passa a duvidar de quem você realmente é.
A Importância de Parar de Salvar os Outros
Os narcisistas escolhem vítimas que são pessoas muito empáticas, que se doam demais ou que têm a síndrome de “salvadora” e de Mulher Maravilha. Se você tenta salvar os outros e passa por cima dos seus próprios limites por medo da rejeição, você é um prato cheio!
O segredo de ouro aqui é: deixe de tentar salvar o outro e olhe para você. Você não vai mudar um narcisista. Entenda que a culpa de tudo o que está acontecendo não é sua!
Relacionamento saudável não é sobre tentar desconfigurar o outro. O amor não é o suficiente para sustentar uma relação, é preciso ter admiração. E se a pessoa não admira as suas conquistas, te humilha e tenta te colocar em uma caixinha, isso é uma bandeira vermelha!
Como sair desse ciclo?
Se você identificou que está presa em um ciclo de abuso, existem passos cruciais:
- Reconheça a realidade: Entenda que a imagem perfeita do início era uma ilusão, uma tática.
- A técnica da “Pedra Cinza”: Se você ainda precisa conviver, evite reagir. O narcisista se alimenta da sua raiva e do seu desespero. Responda com frases curtas (Sim, não, vou pensar), retirando a sua energia emocional do jogo.
- Fortaleça sua Rede de Apoio: Volte a falar com velhos amigos, família, e crie novos vínculos para se reconectar com o mundo externo.
- Busque Ajuda Profissional: O caminho de reconstrução é como um trabalho arqueológico para limpar a sujeira e resgatar o seu tesouro (a sua identidade).
O autoconhecimento te protege! Cuide do seu jardim interno, respeite a sua essência, e você atrairá pessoas que realmente valorizam quem você é de verdade!
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Tem uma frase de Jung que diz: “O mundo vai te perguntar quem é você, e se você não souber, o mundo te dirá”.
Quando você não sabe quem você é, fica fácil acreditar em tudo que dizem sobre você. Quem, eu? é um convite para você se questionar e explorar as infinitas novas possibilidades de ser.
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